sábado, 19 de setembro de 2009

As Origens



Das Artes Marciais, do Karatedo e da Seigokan em particular

Todo o ser humano tem interesse em saber as suas origens. É natural e faz parte da natureza humana. Parece-me contudo um pouco ridículo discutir-se as origens das artes marciais. As artes marciais, ou artes de luta, como qualquer outra actividade humana, principalmente esta que se relaciona com o instinto primário da sobrevivência, não terão tido uma origem específica em qualquer região do planeta e expandido posteriormente para outra regiões, conforme muitas teorias correntes o defendem. No essencial há três (3) teorias do aparecimento das artes marciais. A Tese Grega ou Helénica, a Tese Mesopotâmica e a Tese Indiana. Sinceramente, como já disse anteriormente, julgo que nenhuma terá razão, ou se quisermos, terão todas. Poder-se-íam obviamente ter dado movimentos migratórios de uma região para outra introduzindo certas técnicas de luta específicas de cada região de origem. E todos os factos históricos comprovados apontam para isso. Contudo, é passar-se um atestado de minoridade às regiões onde essas artes foram introduzidas, pois obviamente que elas possuiriam já igualmente artes de luta. Veja-se o caso do "Jogo do Pau" português. Ao que eu saiba, nenhum Mestre Zen Budista do Japão ou da China introduziu o "Bo" ou o "Jo" em Portugal. Também a Tese mais comummente aceite da expansão das artes indianas para a China não me convence pessoalmente. E por uma simples razão. Onde estão hoje em dia as artes marciais indianas? Resumem-se ao Yôga? É demasiado ridículo. Por vezes os eruditos aceitam Teses Históricas consensuais sem as questionarem ou se interrogarem introspectivamente. Pessoalmente, a Tese Indiana da expansão do Kung-Fu para a China através do Monge Budhidarma não me convence. Expansão do Budismo sim, do Kung-Fu, não.
Já a introdução das artes internas do Kung-Fu das províncias do sul da China, em Okinawa, e a sua posterior evolução para o To-De e depois para o Karate-Do como o conhecemos hoje em dia, me parece plausível e consensual. Assim o provam a existência actual dos diversos estilos de Okinawa, desde o Shorin-Ryu, o Uechi-Ryu ou o Goju-Ryu. É de realçar aliás neste campo, a importância da História e do estudo do conhecimento humano mais aprofundado. Há 30 anos, por exemplo, quando se falava de Karaté em Portugal, significava ou o Shotokai ou o Shotokan. Hoje conhecem-se estilos tão tradicionais ou mais que os referidos, cuja importância terá sido tão grande ou superior àqueles, no desenvolvimento do Karate-Do. Chojun Miyagi, o criador do Goju-Ryu, por exemplo, foi o primeiro Mestre de Karatedo a ser reconhecido no famoso Butokukai de Tóquio, apesar de se atribuir a Gichin Funakoshi a introdução deste na ilha principal do Japão.
A Seigokan, como se sabe, foi criada pelo Grande Mestre Seigo Tada, em 1945. A sua Biografia Oficial encontra-se amplamente divulgada na Internet. Contudo há um aspecto que não se encontra muito claro na Biografia Oficial e que será mesmo omisso. O facto do Mestre Seigo Tada, tudo indica, ter sido discípulo do Mestre Gogen Yamaguchi. Certamente o terá sido, pois a Universidade de Ritsumeikan era o "Hombu Dojo" do Mestre Gogen Yamaguchi, que ali leccionava, à semelhança do Budokan. Se o Mestre Seigo Tada foi o Responsável pelo Clube de Karaté da Universidade, ainda muito novo, com cerca de 20 anos de idade, isso seria certamente com a anuência, a orientação e os auspícios do Mestre Gogen Yamaguchi. Isto, pese embora se saber, que devido ao forte prestígio do Mestre Seigo Tada como lutador, este tenha criado o primeiro Dojo da Seigokan em Kyoto com sómente 23 anos de idade. Este é o único aspecto menos claro na História da Seigokan. O resto, já sabemos...
A introdução em Portugal é feita inicialmente com a criação da Escola de Budo em Sapadores pelo Mestre Mitsuharu Tsuchiya em 1975. Contudo, como se sabe, o Mestre Mitsuharu Tsuchyia era mestre (5º Dan) de Nippon-Kempo à época, Tai-Do actualmente. Amigo do Mestre Katsumune Nagai, Campeão Interestadual da Seigokan no Japão por 4 vezes e 4º Dan de graduação, convida este a vir leccionar Goju-Ryu para a sua escola em Portugal, onde chega em Outubro de 1976. Assim, a Seigokan de Portugal costuma comemorar o seu nascimento com a criação da Escola de Budo, reportando-se ao ano de 1975 e não com a chegada do Mestre Katsumune Nagai em 1976. É um critério como qualquer outro, discutível, mas verídico e fundamentado.

Eduardo Lopes

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