quarta-feira, 26 de maio de 2010

Tradição e Inovação



Vem este artigo a propósito de uma recente intervenção de um membro da Direcção da AKSP, numa das reuniões da mesma, em que propunha que inovássemos.
Sinceramente, fiquei apreensivo. Quando ouço falar assim, é porque algo não vai bem. Ou com quem profere a afirmação, ou com todos nós. Porquê inovar e o quê? Esta é uma pergunta que se impõe e que passo a explicar o porquê da sua formulação. Como sabemos (talvez nem todos), somos um estilo tradicional de karatedo. Como todas as organizações tradicionais, há algo para preservar e outro tanto para progredir e inovar. Como tudo na vida e na sociedade, aliás. Nesta, não sei mesmo se haverá mais para inovar. Talvez falte ainda a legalização das drogas leves (porque não das duras?) e da eutanásia. Aborto e casamento homossexual já temos. Depois das drogas e da eutanásia, só faltará legalizar os assassínios em série, as violações, a corrupção, a poligamia, a prostituição, etc, etc, etc...
Porque não?
Onde está a barreira separadora e o limite do razoável?
Numa sociedade sem valores, vale tudo. Até o "tirar olhos".
Mas voltemos ao que nos interessa, que é a nossa associação e o nosso estilo de karatedo tradicional.
Há limites para a inovação. O que distingue as diversas Kai-Ha de Karate-Do em geral e mesmo do Goju-Ryu em particular, é principalmente a parte técnica, já que a espiritual é comum aos princípios gerais do Budo, ou Bushido; o Código de Honra ou de Conduta, com os seus sete princípios acima exibidos.
Assim, não faria qualquer sentido, por exemplo, a criação de novas Kata, ou mesmo a introdução de novas técnicas de Torité, ou Yakusuku Kumité pré-estabelecidas ou codificadas há décadas, pelos mestres antigos ou pelo Grande Mestre Seigo Tada. Ao fazermos isso, estaríamos a romper com a tradição herdada e, no fundo, a criar um outro estilo ou kai-ha (associação).
O que nos resta, então? Muito, certamente.
Desde logo, as Bunkais das Kata. As bunkais, são interpretações personalizadas das katas. Não há codificação das bunkais (por enquanto) e esperemos que assim continue. Outra área a desenvolver, é a defesa pessoal, por exemplo. O Kobudo é outra disciplina complementar e paralela ao Karate-Do, que muitos Mestres aperfeiçoaram e desenvolveram. É muito comum e popular entre os mestres de goju-ryu, provavelmente por o nosso estilo ser precisamente o que possui menos katas.
Mas uma coisa é certa. A inovação, parte de cada um e a cada um caberá desenvolvê-la e criá-la. É mesmo uma obrigação para os Mestres ou Instrutores com Dojos abertos. Faz parte da sua evolução natural e amadurecimento como Mestres. Terá que ser cada um a criá-la e a introduzi-la nos seus dojos. Com as devidas restrições anteriores explanadas e justificadas, por sermos um estilo tradicional.
A inovação nunca poderá ser codificada ou decretada.

Oss...
Eduardo Lopes

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